domingo, 17 de abril de 2016

☜♡☞...SE ESSA RUA FOSSE MINHA...☜♡☞


Ah! Se essa rua fosse minha,
Seria permitido andar com os corpos desnudos,
pés descalços para sentir a poeira, a lama,
as pedras... Sim.
Só para ter o gosto de sentir o quão mascarados andamos.
Seria permitido os corpos sem roupagens,
para sentir o vento que passeia vagamente sobre a pele.
Seria permitido olhos e olhares sem óculos escuros para tapar a realidade.
Narinas abertas para sentir
o cheiro das pessoas que caminham sem nenhuma pretensão à mais,
a não ser sobreviver.

Ah! Se essa rua fosse minha,
Ousaria olhar para quem trilha no mesmo espaço que eu,
e com um sorriso cumprimentaria:
Oi!
Bom dia!
Boa tarde!
Boa Noite!
Como vai você?

Ah! Se essa rua fosse minha,
Eu não existiria.
Seríamos “nós” a existir,
entrelaçados com as esquinas.
Bordaríamos sonhos, ouviríamos histórias e canções,
contaríamos aos desconhecidos as magias do amor.

Ah! Se essa rua fosse minha,
Cada esquina seria praça de encontros,
encantos e magia.
Minha voz não seria silenciada pelos
“donos dos podres poderes”.
Meus ouvidos não ficariam surdos com os gritos por
justiça de cada morte que acontece.

Ah! Se essa rua fosse minha,
Meu coração, pulsaria no compasso do tempo inexistente.
E cada segundo pulsado seria morada de quem tem a rua como lar.

Ah! Se essa rua fosse minha,
Picharia os muros com poemas de Paulo Leminski, Mário Quintana,
Clarisse Lispector, Cecília Meireles.
E com letras garrafais escreveria:

“PERMITA-VIVER NESSA LOUCA SOBREVIVÊNCIA”.

E mais, se essa rua fosse minha,
Plantaria e cultivaria jardins e hortas em cada quadra,
lançaria sementes de hoje sem pressa que floresçam ou que frutifiquem.

Ah! Se essa rua fosse minha,
Seria permitido todos os desvios e devaneios.
Porque nela cabe tudo o que as regras acreditam, proibir.
Numa tarde de domingo.

__Silvia Cristina__

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