sábado, 2 de abril de 2016

☜♡☞...POR QUE AS FOLHAS CAEM...☜♡☞


A cada outono,
certas plantas e árvores preparam-se para um repouso necessário e
vital à sua vida e continuação.

Algumas espécies de árvores matizam-se de várias cores,
num maravilhoso contraste entre a melancolia e a beleza extrema.
Depois, uma a uma, as folhas caem, como lágrimas,
até que as árvores, nuas e tristes, abram os braços ao inverno e esperem,
pacientemente, a primavera, que restaurará cada folha caída.

Por que para nós seria diferente?
Por que não perder antes de reencontrar, por que não as lágrimas,
por que não dias áridos, frios e secos?
E por que não a esperança de que a primavera volte?
Porque, creiam, ela volta sempre!

Talvez nos julguemos bons demais para receber o sofrimento,
como se ele fosse sempre símbolo de castigo e
não algo necessário ao nosso crescimento.

As folhas caem e as árvores parecem assim tão desprotegidas,
tão solitárias!...
e eu me pergunto o que faz com que sobrevivam.

Elas entendem que esse período é necessário à sua renovação.
Elas aceitam, doam-se e esperam e recebem de volta,
no tempo oportuno.

Assim somos nós com todas as perdas que sofremos,
com as lágrimas que escorrem e salgam nossa boca,
com o tempo que parece interminável ou as noites longas demais.

Tanto que não entendemos e não aceitamos o sofrimento,
ele se prolongará. Tanto que não vemos isso como uma fase,
apenas uma fase, a ferida estará aberta e sangrará.

Não aceitar o outono e negar o inverno não faz com que não existam.
Apenas nos deixam fora de uma realidade que chega pra todo mundo.

Não somos maus demais para recebê-los como um castigo e
nem bons demais para que possamos não acolhê-los.

As árvores perdem as folhas e perdemos os nossos.
Elas choram e choramos também.
Elas esperam e nada há que nos impeça de esperar.

E elas recebem, a seu tempo determinado,
novos galhos e novas folhas, novas flores e novos frutos.
Sentem-se assim completas.

Somos assim o que somos e o mesmo Deus que sustenta as árvores,
nos sustenta a nós!

E Ele nos poda, nos molda,
nos deixa nus e aparentemente sem defesa,
mas está sempre presente e estará ainda quando a primavera voltar,
quando seremos, depois do inverno frio,
renovados e prontos para recomeçar.


__Letícia Thompson__

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